domingo, 31 de agosto de 2014

É horrível quando tudo acaba assim... 
A gente nem se olha mais. Parei de ir na casa do meu melhor amigo, simplesmente por que não suporto olhar na cara do irmão dele. 
E me da muito ÓDIO de mim mesma, por que nunca fui assim. Não sou de guardar mágoa, ódio nem rancor, mas essa pessoa conseguiu fazer com que eu guarde isso por ela.
Enfim...

Estou começando a ser que eu sempre fui. Voltando a ser na verdade...
Nada equilibrada... HAHAHA Mas procuro ao máximo valorizar quem merece meu sorriso sem desprezar quem me causa lágrimas. É difícil, mas nada na vida é fácil. Ninguém disse que seria fácil!

Ontem foi a festa surpresa do Nick <3 
foi mega legal! 
Saímos de lá e fomo pro Biblioteca Pub. estava MUITO CHATO (desculpa galera, sou sincera).
Eu já estava mega estressada com problemas relacionados à minha mãe (por que ela consegue brigar com a folha que cai da árvore, entende?), o ambiente da balada tava chato, nada legal. Me senti um peixe na tequila...  
Pedi pra virmos embora. Quando chegamos em frente a minha casa, não sei o por que, mas desabei em choro. 
O Ewerton ficou quase 40 minutos pedindo pra eu ir posar na casa dele, já que eu não estava bem, mas não dava. Eu realmente não consigo mais ir na casa dele. Mesmo que o {nome da pessoa aqui} não esteja em casa, mas não dá, simplesmente não consigo. Me sinto mal.
Entrei em casa, minha prima estava vendo filme na sala, deitei no colo dela e fiquei chorando por uns 10 minutos ainda. Tomei um banho, me dopei com o Rivotril e dormi.
Mas quem dera tivesse sido um sono tranquilo... A cada 1 hora eu acordava com algo, o melhor que nunca tinha nada. 

Estou bem estressada ultimamente, preciso ficar no mínimo umas duas semanas longe pra ficar bem. Mas vou pra onde??

Sei que a vida não é fácil, mas custa ser gentil??

terça-feira, 22 de julho de 2014

A Gênia da Lâmpada

A ideia de se ter um diário, é escrever todos os dias nele.
Mas eu, não tenho condição psicológica de todos os dias estar escrevendo. E confesso, tenho preguiça também.


Terminei um namoro de quase 3 anos e comecei a ficar com o irmão do meu melhor amigo. 

Geeenteee, ele é fofo, é meigo, é carinhoso, mas também sou eu. Sim! Ele sou eu.
Facilmente irritável, estressado... Bem, sou eu. 
Sou igual ao gênio da lâmpada, ou quase. O gênio concede e realiza três desejos, eu dou três chances de fazer dar certo. Não deu? Eu volto pra minha lâmpada mágica e espero que o próximo seja menos infantil e babaca.
A última vez que chorei por homem foi no enterro do meu pai, e em todas as vezes que senti sua falta.
Não choro por homem, e não é por medo de borrar meu rímel, por que meu rímel é a prova d'água. Não choro por homem, por que se um é capaz de fazer algo que me magoe, é por que nunca foi homem de verdade. Infantilidade tem idade pra findar. 
Não me importo com o tanto que falem, e isso pode ser clichê, mas ninguém trilhou o mesmo caminho que eu, pra hoje me acusar, me julgar pelas escolhas que fiz ou deixei de fazer.

Posto frases que tem a ver com o que sinto no momento, de acordo com meu estado de espírito. não por que estou procurando indiretas pra alguém. 

Decidi que a partir de hoje, minhas indiretas serão iguais a coice de mula, super gentis e meigas. Por que é assim que as pessoas me tratam, é com essa delicadeza que eu lido todos os dias. 
Falam que quando te tacam uma pedra, você deve tacar de volta uma flor. Ok, mas nunca falaram pra tirar a flor do vaso... 

É difícil lidar com pessoas. Ainda mais difícil lidar com pessoas que agem como se ainda tivessem 16 anos. 

HELLOO!! Você já tem 21 anos, acorda!! 
Ta, eu sei... Estou quase fazendo 23 e ainda não terminei minha faculdade, estou querendo largar ela. Mas poxa, eu to ficando doente. Eu to batendo em uma tecla que não funciona.
O pior, é que essa semana eu tenho o primeiro teste psicológico, o segundo é na terça-feira. Presentão de aniversário!! #SQN

Estou entediada, com vontade de ir pra qualquer lugar onde o silêncio tedioso me cure do tédio de viver cercada por pessoas que não me compreendem, pessoas que acham que o melhor pra mim está em eu continuar fazendo coisas que não me agradam, não me estimulam.

Tive uma professora que falava que a gente só seria realmente feliz trabalhando com algo que nos desse tesão. Bom, enfermagem é algo que literalmente me broxa. Serei feliz seguindo isso? Acho que não!

É tanta coisa acontecendo ultimamente, que meus pensamentos voam. Se perdem de mim, e quando voltam, estão sobrecarregados de imposições dos que me cercam.


São delírios, sonhos, visões... Tanta coisa irreal, que parece que estou usando alucinógenos, mas meus alucinógenos não passam de dores.

Siim, dores... Enxaqueca me causa alucinações; Enjoos me causam alucinações; Ansiedade me causa alucinação; E o amor... bem, esse não preciso falar nada... O amor por si próprio é uma alucinação. 

A gente sempre acha que "vai ser diferente", e sempre se engana. Acorda princesa, as únicas coisas que mudam é nome, sobrenome, pais, endereço e profissão. O resto? Acredite, é igual.

Estou tão cansada de tudo o que está acontecendo, que me canso de escrever assim que penso no ato da escrita. Ta complicada essa vida.


domingo, 25 de maio de 2014

A Dramática

É claro que não consigo escrever pouca coisa.
Acho isso um mal de mentes atordoadas e pessoas noturnas, meu caso.
Sábado, em meio a um início simples de crise de ansiedade, comecei a chorar e decidi que ligaria para meu tio. Iria pro Rio Grande do Sul, morar com ele.
Mas não é assim que a banda toca. Nunca foi.

E claro, no domingo, que passei o dia inteiro enfurnada na cama, curtindo minha depressão acompanhada de chás, tive uma pequena discussão com meu namorado.
Imagina só... Ele me chamou de dramática.

EU?! DRAMÁTICA??
Eis a resposta que dei a ele:

"Dramática??pq vc sempre teve seus pais presentes na sua vida, se preocupando com você, demonstrando preocupação por você, mesmo que você não goste. Agora se põe no meu lugar, aos 13 perdi meu pai, e desde então tenho sido culpada por isso, por ue minha mãe queria cuidar da casa e dos filhos ao invés de dar atenção pro marido. Ela jogou isso na minha cara já, que a culpada pela doença dela sou eu. Ela NUNCA se preocupou em saber se eu precisava de colo, um cafuné, um aconchego de mãe, acha que dar comida, teto e roupa supri todas as necessidades de uma pessoa, mas não supri. Eu tenho inveja da relação da sua mãe com a Mariana, por que eu sei que NUNCA terei algo assim na minha vida. Todos meus sonhos são demolidos por ela, tudo que quero ela diz que vai ser dinheiro jogado fora, tempo desperdiçado. Tudo que fiz algum dia, ela disse que era lixo, ela amassou, rasgou. Não existe nenhuma lembrança boa pra mim com relação a ela, nenhuma. Você não sabe o que é mendigar amor da sua mãe, por que você não precisa fazer isso. Eu faço isso todos os dias e recebo lixo em troca. Recebo desprezo, recebo ofensas. Eu me sinto pior que um vira-lata de rua. Você não sabe o que e ser dramático. Eu não sou dramática. Eu só estou cansada dessa vida de merda que eu tenho. SÓ ISSO!"
Pois é...
Essa foi minha última confissão de domingo (25/05/2014).
Espero PODER demorar pra escrever de novo... Ou não.
Isso me faz bem, mas não sempre. É estranho, por que não é a mesma coisa que você contar para um amigo, ou sei lá, não se tem uma resposta, um retorno...
Não se tem um abraço apertado quando termina de escrever, ninguém pra dizer "To contigo" "conte comigo" "eu te ajudo nessa"
Sinceramente, cada dia tenho menos vontade de acordar e sair da cama. Menos vontade de continuar essa vida, que pra mim, já deu.

Necessidade. Ou não.

Os últimos dia tem sido uma verdadeira tortura na minha vida.
Me sinto presa, sem liberdade alguma, sequer para chorar, e quando consigo chorar, me sinto fraca.

Na semana retrasada, cometi um erro, um erro que foi bom cometer. E como foi bom! hahaha
Decidi terminar meu namoro, estamos há quase 3 anos juntos, mas não é uma coisa que se posso dizer que é perfeita. Nada é perfeito, e nosso relacionamento está mais que longe da perfeição.

Sou uma pessoa extremamente carente, sinto necessidade de me sentir amada, desejada, querida; Necessidade de ouvir constantemente "Te amo" "Você está linda" Quero te ver hoje" "Adoro seu sorriso" coisas, que pro universo masculino podem parecer besteiras, tosquices, mas pra mim, são básicas.
Adoraria algum dia receber uma flor, mesmo que roubada do jardim do vizinho. Acreditem, tenho quase 23 anos, e nunca recebi flores na vida. Quando recebi, havia um cartão no buquê que dizia: "Para Kellen". Minha cunhada tinha acabado de ganhar bebê. É, a vida é dura e não é doce! (rapadura, rs)

Como se não fosse suficiente, eu tenho esse costume de me importar e querer resolver os problemas de todos meu amigos. Mas não compartilho os meus. Meus problemas são meus, não quero que ninguém sinta pena ou dó de mim, por isso é raro contar sobre minha vida, meus problemas.

Resumindo bem a história, acho que ta na hora de enfrentar meus problemas com uma ajuda especializada nisso, ajuda de um psicólogo.

Acho que já contei que tomo Rivotril, mas enfim, não to tomando direito, tomo apenas quando não consigo dormir e necessito descansar.
Ontem mesmo, tomei umas 20 gotas, mas eram 16h quando tomei 10 gotas, dormi por umas 2h 2:30h, levantei tomei banho e voltei pra cama, mais 10 gotas. Dormi até as 11h do domingo. Foi legal até...
Hoje passei o dia na cama, só levantei pra fazer chá, eu amo chás, e tomar banho.
Durante o banho, não sei o que houve, mas escutei minha mãe falando comigo, sei que respondi, mas não sei o que respondi e não sei como meu braço começou a sangrar...

Sei que fui eu, mas não sei, realmente não sei como cortei meu braço, nem por que...
Realmente, acho que já ta na hora de eu voltar a procurar ajuda...

Só queria dar o segundo passo, que é procurar por ela.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Em um diário...

você pode postar qualquer coisa, escrever qualquer coisa.

To me sentindo angustiada... A pastora da igreja em frente à minha casa está cantando, e NÃO é nada bonito ouvir ela cantar, a impressão, é de que meus tímpanos vão explodir... Credo!

Adoro cantar, apesar de que, canto apenas em faucete. :\
Tenho que treinar agudo e "minha-própria-voz"

Eu cantava na igreja, NESSA igreja antigamente, mas daí, chega um dia que você cansa de ouvir a pastora, o pastor, o padre, o bispo, o sacerdote, O PAPA falando sobre deus, doutrina, pecados, recompensas...
...que deus é bom, mas que vai te matar se você não amar, idolatrar e respeitar a ele e SOMENTE ele...

OPA! PERA AÍÍ!!

COMO ASSIM?

Ok. Agora sou ateia. Ou apenas Agnóstica pendente para ateia, não sei...

Um dia, quem sabe, posto um vídeo por aqui... HAHA

Nunca gostei de títulos

Nunca, nunquinha gostei de títulos, eles me fazem perder a capacidade de criar meus textos, poemas, ou seja lá o que for que preciso fazer.

Em 2002, iniciei a 5ª série do fundamental em um colégio de bairro. O mais próximo de casa.
Meu irmão, mais velho, era um dos caras mais populares do colégio, todos sabiam seu nome, onde morava, todas as garotas queriam sair com ele. Mas ele não era desses populares babacas igual aos filmes holiwoodianos. Ele era popular por ser inteligente. Ele tinha a admiração de todos, alunos, professores, funcionários, equipe pedagógica...
Eu, queria apenas ser invisível, típico de toda garota tímida-cdf, mas sabia que se realmente fizesse as coisas da forma certa, se "demonstrasse" que era inteligente como ele, eu não seria invisível. Seria popular também, e não queria isso.
Começaram as provas, eu sabia as respostas, mas queria que pensassem que eu era diferente dele, eu errava. Mas tinha um professor, que não me deixava errar. Eu gostava dele, enquanto todos meus colegas o viam como um carrasco, um professor ruim. Eu era a única a adorar as aulas dele, a querer que os dias e as horas passassem rápido nas demais aulas, e se demorassem eternamente nas aulas dele. Eram minhas melhores notas. Na verdade, era boa em inglês, português e matemática também. Ele dava Iniciação em Química, ou algo do tipo. Não tinha nada a ver com laboratório, com experimentos, ele enchia o quadro de conteúdo no mínimo 3 vezes, eu nunca copiava tudo, afinal, não era aluna exemplar, mas ele, de alguma forma sabia o que eu estava fazendo. Gostava dele, afinal, ele me enxergava de verdade.
Nunca reprovei, não sei como, pois sempre tinha as piores notas possíveis, principalmente em Artes e Geografia. Cheguei a ter uma nota 15 no boletim, porque não podia aparecer um ZERO. Eu gostava de Geografia, gostava das aulas, mas eu tinha que parecer burra e não ser notada. Acho que o professor meio que descobriu quando me propus a fazer uma maquete dos planaltos com ele e outros colegas, mas ficou ali, ele não disse nada, não fez comentários.
Artes, você deve estar abismado, como alguém consegue ter uma nota 22 no semestre, em ARTES? Foi o que minha mãe disse. Nunca gostei de educação artística - artes. Fazia todos os trabalhos, todas as atividades, todos os desenhos, mas não entregava quando devia. Na verdade, semana passada encontrei um trabalho de vitral que fiz no ensino médio, no primeiro ano... Já tem 8 anos que ele está guardado aqui em casa.
Português, rs, ainda lembro da professora falando "Thaís, você é uma menina inteligente, esperta, como consegue ir mal nas provas?" Não sei. E ela estava certa. nas atividades de sala, eu sempre dava as respostas certas, sempre erguia a mão pra responder, sempre me sobressai, mas nas provas, notas baixas. Até que ela começou a falar sobre poemas, poesias, romantismo...  Nesse momento, como diz um amigo meu "Eu libertei a fênix que tem em mim". Comecei a escrever poemas, poesias. Toda aula que tinha com ela, eu levava algo novo, algo próprio de mim.
E ai começou meu problema. Não de ser vista no colégio, até porque, enquanto ninguém sabia quem era meu irmão, eu estava segura, mas quando descobriram... Foi a treva!
Começou meu problema em casa. Para minha mãe, aquilo era perca de tempo, perca de energia, perca de tudo.
Aquilo, que eu escrevia, para ela era lixo. Para mim, meus sentimentos.
Ela começou a jogar tudo o que eu escrevia fora, tudo o que ela encontrava, ela jogava, chamava de lixo e dizia que eu estava perdendo tempo com aquelas... porcarias.

Por isso digo, que tudo o que se relaciona a mim, nunca teve importância. ela nunca se dignou a ler algo que eu escrevesse, era apenas lixo para ela.

Comecei a escrever no computador, isso no final de 2004, quando ela comprou um. Como ficava em uma pasta meio escondida, ela nunca achou. Mas no dia que achou, apagou tudo, e disse para eu parar de escrever aquelas porcarias, parar de carregar a memória do computador com lixos que não me levariam a lugar nenhum.

Em 2008 eu parei. Cansei de lutar contra ela, e seu termo, "lixo". Para ela, isso que são meus sentimentos, lixos.
Nunca tivemos uma relação boa, nunca gostei muito de conversar com ela, e depois que ela começou a chamar meus textos, meus poemas de lixo, pioraram as coisas entre nós.
Me fechei cada vez mais para ela, para meu irmão, para minha família, para mim.

Esse final de semana, assisti um filme chamado "Sucker Punch".
A personagem principal é chamada de "Baby Doll". Vejo que sou muito como ela.
Para fugir dessa realidade na qual vivo, crio mundos onde posso ser quem eu quiser...

O início do fim...

Como todo bom e velho diário, este espaço tornar-se-á meu refúgio, meu confessionário, meu cantinho aconchegante, que substituirá aquele colo de mamãe que todos queremos de vez em quando.
Bom, alguns escrevem poemas (eu já escrevi vários, perdi a conta de quantos), outros compunham músicas, uns tocam, outros dançam... Cada um encontra uma forma de se desvencilhar de seus problemas, dos problemas que nossas mentes criam e causam.
Eu resolvi que já é hora de parar de fugir e começar a encarar meus problemas... Pode ser um pouco tarde, talvez não... Não sei. Mas eu tinha que tomar alguma atitude, e ela começou a se estabelecer em minha mente no domingo a noite, quando percebi que SIM, eu realmente preciso de ajuda, mas não qualquer ajuda. Preciso de uma ajuda especializada.

Você deve estar se perguntando "Porque o título é 'O início do fim'?"
Bem, eu respondo...
Sempre fui psicologicamente "atordoada". Mas as coisas pioraram de uns tempos pra cá, mais precisamente, a quatro anos.
Iniciei o curso de Enfermagem em uma universidade estadual. Foi tipo "ÓÓÓÓÓ" na família. O que, penso que ninguém saiba, é que comecei o curso por birra, não por vontade propriamente dita. Eu fazia Química na federal, na cidade vizinha, decidi que queria fazer Filosofia, minha mãe se opôs, disse que se eu quisesse continuar indo para a cidade vizinha, eu que continuasse na federal. Pois bem, disse que então faria enfermagem (ironia, sempre achei quem faz esse curso doente, acho que pelo fato de estar envolvido até as unhas com doenças), ela me olhou com cara de desafio, disse "Em enfermagem você não passa!" 
DESAFIO ACEITO! Passei. Em décimo lugar, depois de praticamente um ano sem ver nada relacionado ao vestibular, e aqui estou eu...

Tive minhas primeiras crises de Ansiedade e Ciatalgia no primeiro ano de faculdade, nada muito forte, ou que merecesse atenção específica, as crises não eram frequentes, aconteciam a cada 4 meses, mais ou menos. Não dei importância, afinal, na minha vida, quase nada tem importância.
No segundo ano, tornaram-se mais frequentes e intensas, principalmente a ciatalgia. Essa era intensa a ponto de eu perder totalmente a sensibilidade da perna direita e a esquerda formigar intensamente. A ponto de travar minhas pernas e eu não conseguir levantar, sair do lugar. A ponto de formarem bolas, do tamanho de bolas de tênis de mesa (Ping-Pong) na região lombar das minhas costas. 
Ainda assim, não dei importância, não relatei à minha mãe, não procurei um médico, nenhum tipo de auxílio com relação à doença. E a cada crise de Ciatalgia, a ansiedade se tornava maior. Por que eu queria que aquela sensação de perca, aquela sensação de formigamento passasse, parasse.
Final do segundo ano, comecei a trabalhar a noite, em uma faculdade particular. Era secretária de dois cursos. Iniciei na semana acadêmica de ambos. Agitação. Tempo, era o que eu menos tinha.
Início do terceiro ano, ainda trabalho como secretária dos dois cursos na faculdade, durante aula dos professores e coordenadores dos cursos, estou sozinha na coordenação. 
Me sinto estranha, tremores no corpo, os dedos formigam, começo a ter falta de ar, visão começa a ficar turva. Ligo para a Maria, no laboratório, ela pede se consigo descer até lá. O laboratório fica no subsolo, eu no terceiro andar. Desço devagar, quando chego quase desmaio em frente a ela e aos coordenadores. Eles me sentam em uma cadeira e chamam a enfermeira.  Primeira crise de ansiedade, primeiro internamento.
Diagnóstico Clínico: CID-10 F41.1 Transtorno de Ansiedade Generalizado.
Encaminhamento para UBS, acompanhamento e tratamento com Psicólogo/Psiquiatra. Acho que ainda não era o caso de medicamentos.
Estou até hoje esperando sair esse acompanhamento/tratamento, faz praticamente dois anos, e nada ainda. 
Ainda é o terceiro ano, sai do meu emprego. Estágio em UBS (Unidade Básica de Saúde, ou posto de saúde). São oito horas da manhã, chamo uma paciente para a avaliação de enfermagem, estamos na sala a professora, duas colegas de curso, duas pacientes e eu. Peço para minha paciente se sentar enquanto me viro para pegar o esfigmomanômetro e o estetoscópio, quando os alcanço, minha professora só tem tempo de levantar e me segurar. Ela me senta na cadeira e pede o que sinto, não sei dizer, a sensação é familiar, mas ainda assim é estranha. Mão formigando, visão turva, e muita, muita dificuldade em respirar. É uma crise de ansiedade, mas ela é pior que a outra. 
A professora chama a médica, ela está ocupada atendendo a uma paciente, mas diz que já está indo. Sou colocada em uma maca, enquanto a professora tenta me acalmar, minhas colegas não sabem o que fazer. Nunca presenciamos pessoas em início de crise, até aquele momento. A médica chega ao consultório, e me pergunta se ja tenho algum diagnóstico, digo com os dentes semicerrados que tenho T.A.G., ela me pede se faço uso de medicamento, balanço a cabeça em sinal negativo. Ela me prescreve um I.V. para o momento, para me acalmar, e Rivotril®, duas gotas por dia, ao final do dia. 
Nas duas ou três primeiras semanas, tomo certinho o medicamento, então paro. 
Não sei exatamente por que parei, sei que parei. Acho que tinha medo de viciar, ou coisa do tipo.
No decorrer do terceiro ano de enfermagem, várias crises de ansiedade me acompanharam. 

Iniciei acompanhamento com psicólogo na universidade. 
Ele tenta me fazer relaxar na sala, enquanto espera que eu comece a falar. Não me sinto a vontade para falar com ele, ele não é meu amigo, nem o conheço, enfim. Ele pergunta meu nome, minha idade, e pede para q eu fale. Começo a falar pouco, com timidez, receio. Ele pede o que gosto de fazer, a resposta é única. VER ANIME. Ele se ajeita na cadeira, e pede qual anime que mais gosto. Amo InuYasha, sempre amei, mas naquele momento, estava me apaixonando por Gosick. Ele pede o porque, digo que é porque Victorique de Blois, a personagem principal, se parece muito comigo.Ele pede como ela é, digo o que me chama a atenção na personagem. Aprisionada pelo pai, forçada a fazer coisas que vão contra sua vontade, mas sempre disposta a ajudar os amigos de verdade, no caso Kujo-kun.
Ele pede se me identifico com ela, digo que sim. E ali começa uma viagem que não queria fazer naquele momento. Uma viagem ao meu passado, minha infância.

Não sei como, nem porque, mas de alguma forma e por algum motivo eu bloqueio minhas memórias. Tudo o que me faça lembrar acontecimentos anteriores à 2003. Na verdade, acho que sei o motivo, mas não quero pensar nisso agora.

Ele questiona sobre minha infância, pergunta, instiga minha memória, mas nada. Não lembro de nada. Ás vezes coisas vagas, vozes, sombras... E é aqui que começa o problema atual.

Quarto ano, tenho dependências no curso. Reprovei em algumas matérias.
Ultimamente tenho tido muitos lapsos de memória, vertigens, visão turva. 
Sentimentos e lembranças invadem minha mente, fazem meu psicológico, meu emocional oscilarem de tal forma, que é quase impossível deter o que vem a seguir. Crises, as vezes de choro, as vezes de riso, as mais frequentes são de raiva, e eu nem mesmo sei o porque. O porque dessa raiva, dessa angústia.
E tudo isso tem ficado tão intenso com o passar dos dias, que tenho medo de sair de dentro do quarto. Medo de fazer algo, comigo mesma, da qual eu me arrependa depois. 
Penso que meu diagnóstico clínico, já não é mais CID-10 F41.1, mas CID-10 F41.2 - Transtorno Misto Ansioso-Depressivo.

Mas não me preocupo, porque o que acontecia comigo, nunca teve importância. Ninguém nunca me olhou por um momento apenas, e percebeu que aquele meu sorriso, aquela expressão alegre, fazia parte da máscara. Faz parte da máscara.
Domingo a noite, enquanto fugia do sono e do medo das lembranças, percebi que realmente necessito de ajuda. Decidi que procuraria por ajuda. Mas sou fraca demais pra lutar comigo mesma. Ficar acomodada em mim é mais fácil, continuar usando as máscaras é mais fácil. Não quero iniciar terapia novamente. Me sentia tão frustrada comigo mesma, porque eu não sabia, nunca sabia o que poderia ter acontecido, nunca lembrava da minha vida até os 12 anos, da minha casa na cidadezinha onde morava. E agora essas lembranças, essas memórias me perseguem e não me deixam em paz. Me assustam, quando começo a cochilar, com suas vozes cortantes, doces, suaves, irritadas, nervosas. Seus gritos oscilantes em meus ouvidos, como se fosse naquele momento, e não apenas uma lembrança de anos atrás.
Tenho medo. Choro todas as noites, tentando entender o que está acontecendo. Coloco minha máscara durante o dia, não quero ninguém me olhando com dó. Não quero que vejam minhas olheiras depois de uma noite acordada, lendo, vendo filmes ou séries. Não quero me fazer de vítima de mim. Não quero SER vítima de mim.
Quero que isso acabe, mas não sei como. 

Não sei o que fazer. E como não gosto de falar, escrevo.