Nunca, nunquinha gostei de títulos, eles me fazem perder a capacidade de criar meus textos, poemas, ou seja lá o que for que preciso fazer.
Em 2002, iniciei a 5ª série do fundamental em um colégio de bairro. O mais próximo de casa.
Meu irmão, mais velho, era um dos caras mais populares do colégio, todos sabiam seu nome, onde morava, todas as garotas queriam sair com ele. Mas ele não era desses populares babacas igual aos filmes holiwoodianos. Ele era popular por ser inteligente. Ele tinha a admiração de todos, alunos, professores, funcionários, equipe pedagógica...
Eu, queria apenas ser invisível, típico de toda garota tímida-cdf, mas sabia que se realmente fizesse as coisas da forma certa, se "demonstrasse" que era inteligente como ele, eu não seria invisível. Seria popular também, e não queria isso.
Começaram as provas, eu sabia as respostas, mas queria que pensassem que eu era diferente dele, eu errava. Mas tinha um professor, que não me deixava errar. Eu gostava dele, enquanto todos meus colegas o viam como um carrasco, um professor ruim. Eu era a única a adorar as aulas dele, a querer que os dias e as horas passassem rápido nas demais aulas, e se demorassem eternamente nas aulas dele. Eram minhas melhores notas. Na verdade, era boa em inglês, português e matemática também. Ele dava Iniciação em Química, ou algo do tipo. Não tinha nada a ver com laboratório, com experimentos, ele enchia o quadro de conteúdo no mínimo 3 vezes, eu nunca copiava tudo, afinal, não era aluna exemplar, mas ele, de alguma forma sabia o que eu estava fazendo. Gostava dele, afinal, ele me enxergava de verdade.
Nunca reprovei, não sei como, pois sempre tinha as piores notas possíveis, principalmente em Artes e Geografia. Cheguei a ter uma nota 15 no boletim, porque não podia aparecer um ZERO. Eu gostava de Geografia, gostava das aulas, mas eu tinha que parecer burra e não ser notada. Acho que o professor meio que descobriu quando me propus a fazer uma maquete dos planaltos com ele e outros colegas, mas ficou ali, ele não disse nada, não fez comentários.
Artes, você deve estar abismado, como alguém consegue ter uma nota 22 no semestre, em ARTES? Foi o que minha mãe disse. Nunca gostei de educação artística - artes. Fazia todos os trabalhos, todas as atividades, todos os desenhos, mas não entregava quando devia. Na verdade, semana passada encontrei um trabalho de vitral que fiz no ensino médio, no primeiro ano... Já tem 8 anos que ele está guardado aqui em casa.
Português, rs, ainda lembro da professora falando "Thaís, você é uma menina inteligente, esperta, como consegue ir mal nas provas?" Não sei. E ela estava certa. nas atividades de sala, eu sempre dava as respostas certas, sempre erguia a mão pra responder, sempre me sobressai, mas nas provas, notas baixas. Até que ela começou a falar sobre poemas, poesias, romantismo... Nesse momento, como diz um amigo meu "Eu libertei a fênix que tem em mim". Comecei a escrever poemas, poesias. Toda aula que tinha com ela, eu levava algo novo, algo próprio de mim.
E ai começou meu problema. Não de ser vista no colégio, até porque, enquanto ninguém sabia quem era meu irmão, eu estava segura, mas quando descobriram... Foi a treva!
Começou meu problema em casa. Para minha mãe, aquilo era perca de tempo, perca de energia, perca de tudo.
Aquilo, que eu escrevia, para ela era lixo. Para mim, meus sentimentos.
Ela começou a jogar tudo o que eu escrevia fora, tudo o que ela encontrava, ela jogava, chamava de lixo e dizia que eu estava perdendo tempo com aquelas... porcarias.
Por isso digo, que tudo o que se relaciona a mim, nunca teve importância. ela nunca se dignou a ler algo que eu escrevesse, era apenas lixo para ela.
Comecei a escrever no computador, isso no final de 2004, quando ela comprou um. Como ficava em uma pasta meio escondida, ela nunca achou. Mas no dia que achou, apagou tudo, e disse para eu parar de escrever aquelas porcarias, parar de carregar a memória do computador com lixos que não me levariam a lugar nenhum.
Em 2008 eu parei. Cansei de lutar contra ela, e seu termo, "lixo". Para ela, isso que são meus sentimentos, lixos.
Nunca tivemos uma relação boa, nunca gostei muito de conversar com ela, e depois que ela começou a chamar meus textos, meus poemas de lixo, pioraram as coisas entre nós.
Me fechei cada vez mais para ela, para meu irmão, para minha família, para mim.
Esse final de semana, assisti um filme chamado "Sucker Punch".
A personagem principal é chamada de "Baby Doll". Vejo que sou muito como ela.
Para fugir dessa realidade na qual vivo, crio mundos onde posso ser quem eu quiser...
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